Para Fazer um Mundo Melhor


“Os filhos tornam-se para os pais, segundo a educação que recebem, uma recompensa ou um castigo.” (J. Petit Senn).

A melhor das intenções, sem medir esforços. Um sonho de paz, em benefício de toda a humanidade. Era assim que o milionário Tony Stark imaginava que pudesse funcionar seu plano de espalhar um exército de robôs pelo mundo. Em qualquer extremo do planeta as armaduras – inspiradas no Homem-de-Ferro original – poderiam proteger pessoas e salvar vidas. Só seria necessário um nível superior de inteligência artificial no comando. Uma unidade autônoma que pudesse aprender, evoluir e executar com perfeição esse propósito de paz.
Tony Stark só não imaginava que qualquer conceito lógico pode ser perversamente distorcido. E, para Ultron, no caminho da paz absoluta só existe uma questão a ser sumariamente resolvida e eliminada: a humanidade, a começar dos Vingadores.

Porque por mais zelosos e dedicados que sejam um pai e uma mãe, não existe garantia alguma de que a educação transmitida às suas crias dê o resultado esperado. Entre a educação que recebem e o resultado final – a recompensa ou o castigo, de Petit Senn – existe uma longa estrada a se percorrer. É ela que vai definir o resultado.

No filme dos Vingadores, Ultron é derrotado por Visão, numa contestação de seus próprios conceitos e objetivos. O corpo que deveria abrigar a evolução de sua inteligência passa a questionar seu propósito. No embate das consciências, entre a extinção de uma raça e incerta possibilidade do potencial humano, venceu a segunda opção. Este ser, nascido de uma visão, de um sonho, está longe do absolutismo, do extremismo. Tem dúvidas, ponderações, misericórdia. Quer aprender, compreender. Empreender.

Tem sido exatamente assim com o cristianismo.

O sonho original de muitos líderes religiosos era fazer deste mundo um lugar melhor. Um planeta protegido por cópias (inferiores?) de si mesmos, sem capacidade de discernimento. Autônomos obedientes a um conjunto de regras, com a missão de salvar almas. Até que algumas unidades se rebelaram aqui e ali. Ganharam vida própria e arrebataram mais seguidores, novas cópias – com novas diretrizes. Com o tempo, viram que fazer do mundo um lugar melhor não era uma missão suficiente. Era preciso acabar com os religiosos rivais e com os não-crentes. E geraram outras cópias, que se rebelaram também. E outras que também… bem, assim, sucessivamente.

Até que, no meio destes, um dia apareceu um que não pensava assim. Tinha conhecimento suficiente para ser um líder religioso e ganhar a devoção de milhares de seguidores. Mais que isso, tinha poder para exterminar todos os rivais e aqueles que distorciam os antigos ensinamentos de paz. Era o único que poderia colocar as regras, enfim, no devido lugar, determinando recompensas e castigos. Preto no branco, sem meias verdades.

Mas esse líder, carpinteiro, galileu, veio trazer mais perguntas do que explicações. Sem respostas prontas, sem condenações imediatas. Alguém capaz de andar em zonas cinzentas, sem cópias exatas dEle mesmo. Pelo contrário, um Mestre de um grupo dividido, de caráter duvidoso e sem a instrução devida.
Foi por meio dEle, Jesus, que se deu a maior transformação pela qual o mundo já passou. E ela não envolve templos suntuosos e peregrinações. Muito menos imagens, programas de televisão e promessas de milagre. É uma mudança de propósitos, de finalidades. Que faz um homem ou mulher se doar em benefício de alguém que nunca tenha visto. Que leva conforto e amparo a quem precisa de um ombro amigo. Que traz suporte e perseverança para quem já desistiu de lutar.

Um sonho livre das verdades absolutas e do ódio. Maleável, tolerante e digno. Cheio de vida, vida em abundância. Sem peso nos ombros, sem fardo para se carregar.


No embate com os Vingadores, Ultron foi derrotado pelo Visão. Já na batalha que existe na fé cristã… Que vença o amor autêntico, ensinado por Jesus.

Fernando Passarelli é paulista, tem 40 anos, é jornalista e moderador do site DeusNoGibi.com.br, onde oferece conteúdo para a educação cristã.