Super Mario e Starway to Heaven

Se você tem mais de 25 anos, certamente conhece o personagem mais carismático da Nintendo, o Mario, ou Super Mario. Criado em 81, pelo desenvolvedor e designer de jogos eletrônicos japoneses Shigeru Miyamoto, Mario é de longe o maior sucesso da Nintendo. Tendo aparecido em mais de 200 jogos desde a sua criação, é um dos poucos ícones dos videogames oitentistas a permanecer firme e forte, rendendo bons milhões aos cofres da empresa japonesa.
Aliás, Super Mario World foi a minha primeira experiência como consolista doméstico, já que existiam as “Locadoras”, que era onde você poderia jogar por R$ 1,00 a hora (dependendo do local e do console) qualquer jogo disponível ali, ou alugar, caso você já tivesse um console em casa. Já havia jogado Bomberman, Sonic, Boogerman (pesquise no google, sério), mas nenhum outro jogo me custou tanto tempo e paciência como Super Mario World. Levei mais de um ano para finalizar o jogo, completinho, todas as fases, todos os castelos, o que era algo bem difícil pois, assim como todo jogo antigo, não tinha DLC, compra dentro do app, gold, cash, essas coisas que facilitam muito os jogos de hoje.  Tinha que ser na garra, manha e força de vontade.


Entretanto, Super Mario World possuía um certo “código konami”, um macete, dentro do jogo, que lhe permitia finalizar o jogo em apenas meia hora, ou até menos, era o chamado “caminho da estrela” ou “fase bônus”, que poderia te levar até o castelo do Bowser em menos de 12 estágios do jogo. Quando descobri que isso era possível, eu já tinha finalizado pelo menos metade do jogo, foi quando vi em uma revista de games da época que existia esse método. Caí em piração – “Tem fase nova, dá para fazer um monte de coisa, tem Yoshi de outras cores...”. Depois descobri que existe um mundo secreto dentro do mundo secreto, a fase da estrela poderia ser outro jogo, um “DLC” se fosse nos dias atuais.
Entretanto, se você pensar um pouco no contexto do jogo, das várias fases e desafios que você simplesmente ignora por tomar o caminho da estrela no intuito de chegar no chefão mais rapidamente. O jogo meio que perde o seu valor, com todas as horas de diversão que poderiam ter sido aproveitadas sendo jogadas no beléléu.
Existe uma semelhança muito interessante dos jogos com a vida, e nesse caso, quero tomar a nossa vida cristã como exemplificação. Já reparou que na caminhada cristã não existem atalhos? Nossa luta diária contra a nossa carne, nosso pecado, a nossa busca diária por santificação, já reparou como para nada disso existe um caminho mais fácil, um atalho? Parece que muita gente não reparou nisso, ou vê e não enxerga. Nossa vida terrena não tem um caminho da estrela, onde a gente pula da conversão direto para a maturidade de fé, ou do início de um problema direto para o seu final, sem passar pelas outras fases, que são necessárias.
Quando alguém, um pastor ou líder, promete um atalho para a resolução de problemas (atalho para prosperidade e afins), está prometendo algo que simplesmente não existe e que não tem base bíblica nenhuma. João 16.33 - “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Teremos dificuldades em nossas vidas, problemas, fases difíceis, mas a promessa que Cristo nos faz é bem mais poderosa do que um atalho para problemas ou para a vida, mas uma promessa de vida eterna, pois Ele já venceu o mundo, já zerou o jogo, completinho.
Para terminar, deixo vocês com uma música super evangélica, de uma banda bem tradicional, quase um corinho da Harpa, que talvez não tenha muito a ver com o tema do texto, mas tem tudo a ver com título.



Samuel Soares tem 26 anos, é auxiliar de TI, membro da Igreja Batista Aliança em Fortaleza - CE, e como é de se notar, um mega fã e entendido de cultura nerd.