As Duas Naturezas

 Abre parêntese. Existe um vídeo no final do texto. Leia o texto, veja o vídeo, depois leia o texto novamente. Fecha Parêntese.
 Já ouviu falar da história dos dois cachorros que existem dentro de você? Dizem que um dos cachorros é o bom, que seria o nosso lado cristão, transformado e espiritual. Já o outro é o nosso lado pecaminoso e mal. Os dois cachorros estão sempre brigando (a carne milita contra o espírito e o espírito milita contra a carne), de modo que um dos dois sairá vencedor desta briga. Segundo a história, ganhará a briga o cachorro que estiver melhor alimentado, sendo que você é quem alimenta os cachorros e, por razões óbvias, só poderá alimentar um deles.
Apesar de ser uma história clichê e com pontos discutíveis, a verdade é que realmente existe um conflito dentro de nós.  Todos os que foram salvos e remidos pelo sangue do Cordeiro possuem um grande conflito dentro de si. Por mais que tenhamos o Espírito Santo dentro de nós, ainda estamos presos a nossa natureza pecaminosa e carnal, e aquilo que a nossa carne deseja é totalmente o contrário ao que Deus quer para nós, aquilo que é a vontade dEle, para o nosso querer e desejar.
 Jesus deixa muito claro que existirá o conflito - "Não pensem que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. (Mateus 10:34)”. Mais à frente, nos versos 35 e 36, Jesus cita o profeta Miquéias – “Pois o filho despreza o pai, a filha se rebela contra a mãe, a nora, contra a sogra; os inimigos do homem são os seus próprios familiares. (Miquéias 7:6)”, trecho que fala sobre as coisas que acontecerão, ou aconteceriam, com a vinda do Messias. Essa espada nos traz o conflito.

         Focando um pouco mais no conflito interno, já que a espada a qual Jesus se refere é bem mais ampla do que isso, nós temos um conflito dentro de nós que é causado pela ação do Espírito em nós. Se antes nós pecávamos sem nenhuma culpa ou remorso, hoje nós temos, ou deveríamos ter, um sentimento diferente. O pecado já não é sem culpa, se fazemos algo de errado, já não é mais algo que passa impune por nossa cabeça. Aquilo que era domínio da carne já não o é mais. O Espírito nos liberta do domínio do pecado e da maldade que envolve o nosso coração, e isso causa grande conflito.
 Esse conflito que existe dentro de nós passa por aquilo que chamo de “instinto”. O instinto da nossa carne é o pecado, os desejos pecaminosos e os seus frutos, aquilo que fazemos por sermos ainda escravos da nossa vontade corrompida. Quando recebemos Cristo como nosso Senhor e Salvador, seu espírito coloca em nós o seu “instinto”, que é o de buscar a comunhão com Deus e de ser instrumento em sua obra, de sermos obedientes a Ele, seguindo seus desígnios e demonstrando o amor e a misericórdia de Deus em nosso modo de agir e pensar. Esses dois instintos são inimigos um do outro, pois ao seguir um, você automaticamente aborrecerá o outro. Não conseguimos servir a dois Senhores, seria como se você de repente resolvesse ser torcedor do Corinthians e do São Paulo ao mesmo tempo, não dá.
 A história dos dois cachorros nos ilustra a existência do conflito, porém ela não nos mostra o verdadeiro conflito. Focamos na briga dos cachorros, mas na realidade, o grande e verdadeiro conflito é o do dono, sobre qual dos cachorros ele irá alimentar, qual dos instintos ele irá saciar e seguir, se o da carne ou o do espírito. John Piper certa vez disse que devemos fazer “guerra” contra o nosso pecado, “guerra” contra nós mesmos. Não há como ser carnal e espiritual ao mesmo tempo, ou nós saciamos o instinto do espírito, ou saciamos o instinto da carne, e o instinto que você escolher seguir, é o que vai determinar seu futuro.
 Leitor – “Terminou o texto?”
Eu – “Terminei.”
Leitor – “Ué, cadê a analogia? Não era pra ser uma analogia?”
Eu – “Dessa vez fiz diferente, a analogia não é explicativa, mas demonstrada.”

Não entendeu? Veja o vídeo e entenda:



Samuel Soares tem 25 anos, é auxiliar de TI, membro da Igreja Batista Aliança em Fortaleza - CE, e como é de se notar, um mega fã e entendido de cultura nerd.