Um Final Feliz?

Entre os desenhos animados que chegaram à televisão nos anos 80, fez muito sucesso a aventura de seis adolescentes através de um mundo mágico. “A Caverna do Dragão” (“Dungeons and Dragons”) teve três temporadas e apenas 27 episódios, exibidos à exaustão. Na trama, os jovens vão parar num universo místico e quase medieval, no gênero de “O Senhor dos Anéis”, e ganham armas especiais para combater o mal. Nessa jornada, tentam encontrar o caminho de volta para a Terra debaixo dos conselhos de um anão poderoso, o Mestre dos Magos.
Pelo nome traduzido, você encontra meio milhão de resultados na Internet, em 2011. Pelo nome original, em inglês, são mais de três milhões e meio de páginas tratando do assunto ou de algo relacionado ao desenho. É um feito, não há como negar. Estamos falando de um produto criado apenas para a telinha, sem apoio dos jogos de videogame e do cinema. Um sucesso também na cultura pop.

Os personagens são inspirados nos clássicos heróis do jogos de RPG. E a polêmica do suposto episódio final, jamais produzido, que mostraria que os jovens estão mortos, já causou muita discussão na internet – e entre os cristãos. Alguns acham que o desenho é do mal porque tem mago, demônio, dragão, criaturas das trevas, espíritos. Mais uma discussão que ninguém sabe onde vai dar.
Quem se recorda do Mestre dos Magos também vai lembrar da forma como ele tentava ajudar os jovens. Nunca era claro e jamais trazia uma resposta direta, objetiva, para as dúvidas e problemas. Se o grupo estava perdido, por exemplo, o Mestre dos Magos até sabia a resposta, mas lançava uma charada e desaparecia no ar. Cabia aos meninos e meninas encontrar a solução, interpretar o que havia sido dito.
Eu sempre achei aquilo um absurdo.
O cara era muito chato, nunca facilitava a vida do pessoal. Depois que todo mundo passava por um apuro enorme, lutando, por exemplo, contra um exército de monstros, à beira de um precipício, numa tempestade de areia... ele aparecia para dizer algo como: “fizeram muito bem, foi tudo exatamente como eu disse”.
Minha vontade era pegar o Mestre dos Magos pelo colarinho e dizer: “Escuta aqui, se não vai ajudar, então não aparece mais!”. Acho que o marrento do Eric quase fez isso em um episódio, cansado de tanto mistério.
Se o Mestre dos Magos queria que os caras aprendessem alguma coisa, então falasse logo! Por que será que deixava o grupo passar por tanto apuro?
Então eu me dei conta que aquele anão do desenho animado não era o único Mestre a falar por meio de frases misteriosas. E que também não era o único Mestre cheio de poder, que preferia o caminho do aprendizado pelo esforço do seus discípulos, sem apresentar respostas prontas.
Houve um Mestre, este sim, de carne e osso, que caminhou por esse mundo, e fez coisas assombrosamente maravilhosas. O Mestre Jesus, cheio de poder dos altos céus, também sabia desaparecer diante dos olhos da multidão. E não perdia uma oportunidade de falar por meio de histórias, parábolas. Muitas, misteriosas. E, quando necessário, ajudou os seus discípulos a compreendê-las. Abriu os olhos daqueles que, como eu, queriam apenas as respostas prontas, fáceis.
Jesus cumpriu a missão de resgatar não seis vidas, mas um mundo inteiro. Fez o seu papel de Mestre e não deixou os seus seguidores na linha de frente, armados, sozinhos, lutando contra o mal. Foi Ele, Jesus, quem se entregou para resgatar toda a humanidade. Sofreu no lugar daqueles que amou, não ficou sentado observando os esforços inúteis do seus aprendizes. E com sua morte, venceu não apenas um vingador, e sim todas as trevas do mundo, venceu a serpente, venceu o dragão, venceu toda sorte de espíritos do mal.
E, ao contrário do Mestre dos Magos, o Mestre Jesus conseguiu, sim, trazer as vidas perdidas de volta para o reino de luz. Pelo menos aquelas que desejaram – e desejam – caminhar ao Seu lado. A estes, Ele pode mostrar o caminho de encontro aos braços amorosos de Deus. Uma história com final feliz.

Fernando Passarelli é paulista, tem 39 anos, é jornalista e moderador do site DeusNoGibi.com.br, onde oferece conteúdo para a educação cristã.